terça-feira, 25 de março de 2014
Inclinada a aproveitar o clima de endeusamento, de manjar de demiurgos privilegiados com a estranheza de usufruir de uma garra polida a preço de banana, a clientela recompensava os afagos que recebia como podia, por exemplo com elogios, mesmo que breves, ao refinamento das entrées, à suculência das ostras, à finesse das sobremesas, aos tintos e aos brancos da adega, à inventividade dos drinks e ao clima agradável do ambiente, abençoado com a ausência de incidentes, de música de fundo, de televisor e de moscas. Fred Astaire, prateado, inclinava sua cartola na porta do banheiro masculino, onde comia solto o jorro de pontaria e escavação nos urinóis repletos de frozen, com seus gomos de tangerina seccionados em rodelas frescas.
Menção honrosa para a efusão de saquê e manga espada do barman norueguês, de tirar o chapéu. Com sua discrição exemplar, ele rondava as mesas, onde se degustavam seus néctares, para pescar palpites que aprimorassem sua alquimia. De efusão em efusão, de congratulações em júbilos, deu-se o salto. Explico: sem razão retumbante, e sem que nada fosse quebrado nem nenhuma canela atingida, o homem, com seu chapéu de papel de muffin, executou um salto com a perfeição de uma Ariel Laranjeiras. Foi aplaudido e voltou pra cozinha. O maître, coreógrafo geral do estabelecimento, não lhe dirigiu a habitual testa franzida com a qual reprovava as atitudes da equipe consideradas inapropriadas.
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