quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
"- Numa birosca, vetusta de outrora ou bisturi na gralha? - Tigre de bengala na certa, com tamanduá faminto na surdina. - Quem descarta a alvorada no mirante? - Só em caso de recato, tolice ou toleima. - A residência nave de alhures, mas e a entrada de serviço? - Quando ainda há areia nas batatas. - Rissole de luva engraxate vai brilhar na yoga com bagos notórios? - O professor tem um quisto profano no punho, e não se embaralha. - Barthes tão se separa quando, por falar nisso? - Na estufada do ensejo! - Extra extra! Bistrô comprovava a existência de armações harmoniosas no recinto. - Mas ela banca a pera na hora da minha, no ninho, do mangue, na teta, da vossa, da nossa eficiência em pirulitagem simbólica: praga disso licenciosos, mas arrivistas como tementes! A casa não deixava de ser acolhedora e aconchegante, apesar do surrealismo. Espremida entre a reputação de uma discretíssima casa de prazeres, guardada por dois leões de chácara finamente alinhados, de ternos impecáveis e semblantes magneticamente antipáticos, mas que estavam a par das estórias mais picantes e das melhores tiradas do pedaço, e a tradição de uma cantina portuguesa carimbada com o selo de destaques em matérias de jornais e revistas, de prêmios consecutivos de melhor petisco e de fotos autografadas por artistas abraçados aos donos e aos garçons não menos conhecidos, sua probabilidade de sucesso era uma matemática cujo desenlace eu não estava disposto a acompanhar, já que eu não pretendia passar o resto da vida a frequentá-la. Minha única sugestão era suprimirem as panquecas de palmito do cardápio e substituírem os quadros por cartazes de filmes ou peças, ou me chamarem para desfrutar do tesouro guardado em seus versos. A travessa do bistrô era passagem de uma agradável corrente de ar, que me envolveu com sua brisa propícia ao devaneio atemporal até a esquina. Descomplicadas e agradáveis convivências para uma cuba libre na piscina do hotel; Dalton Trevisan’ dream team descaroçando indiferentemente frutas do conde! A expectativa de vida do hebdomadário era toda outra equação, que eu acompanhava desde o início, torcendo, número a número. Na Primeiro de Março, cedi minha mão esquerda a três belas ciganas. Não foi incomodo, apesar da susto da operação abordagem-cerco-toque. Elas olharam primeiro, num balé de trinta dedos gordinhos, para as listras nas dobras das articulações dos meus dedos, depois para minhas linhas na palma outrora espantosa, num passado distante e Deus queira fictício, e por fim, para os meus olhos. Estes viram três sorrisos calmos e amigáveis, vindos de bocas que não se poluíram com a palavra reais. Depois elas desformaram a roda e foram embora a matutar, sem importunar um passante sequer e sem olhar pra trás, até desaparecerem no mar de gente que desaguou na Praça XV vindo da Sete de Setembro. Duas cigarrilhas achocolatadas, considerações sobre o breu, pisoteadas despercebidas em folhetos de sacanagem. Marta, você definitivamente vai gostar desse texto que chegou pro concurso, metros quadrados cinzas rachados, retângulos de pedra lisa com brotoejas de calcário, um beijo pros amores do presente, o passado do pedestre notável com seus futuros lembretes na mente. Eram muitos os pensamentos que me ciceronearam até uma deli na Buenos Aires. Silêncio de pantera na hora de me inclinar para alcançar a cesta. Ainda abaulado e desprovido de boina, tremi por um instante, presa de um lampejo. Deslizando lentamente por minha nuca, tronco, braços e pernas, eu sentia uma onda mansa e caudalosa de prazer pré-orgasmático e origâmico a se alojar em minhas fibras e a se exteriorizar num frisson epidérmico e formidável. Entre a ambição de ter habilidade para relatar a experiência detalhadamente, sem misticismos, e a vontade de reexperimentá-la num futuro próximo, havia Eva e havia toda uma vitrine de queijos, frios e acepipes. Os tomates secos, estradas, eles e os provolones na Ilha Grande, ao cubo, no tubo de ensaio de uma antropologia feita de todos os sentimentos, aconteciam as entrevistas na casa dos moradores, onde vira e mexe eu esquecia meu caderno de campo. As azeitonas sem caroço imploravam por algum adjetivo positivo, mas eram desaconselháveis, e assim sempre serão, no meu ponto de vista. As pastas caras que eu só devoro em ocasiões especiais eram as pastas caras que eu só degusto em ocasiões especiais, e o atendente de luvas, máscara e gorro a fatiar salames, presuntos e fiambres, a pesar isso e aquilo, talvez se juntasse a um conjunto musical depois do expediente para tocar surdo." (Signifrito Figueiroa, Aporias da toleima, Vol. 4)
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