segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
"Idílico, sublime, plausível, generosamente remunerado, livre do assédio de dados lixados, de sadismos patronais e de pregos em pneus zerados, meu futuro me chamava repetida e calidamente pelo apelido enquanto a lâmpada tremeluzia e chiava sobre minha cabeça. No prato vazio, o sonho do sonho. Enquanto isso a mulher sumaúma de bronze não pifava, incríve! Eu casaria com ela caso o balanço do meu bilhete a preparasse para o vai e vem irriquieto dos meus avanços e retiros. Ela irradiaria voluptuosidade enquanto eu escolheria as lagostas gordas com as quais nos deliciaríamos no serão da roça, abençoado por duas bananeiras cachudas. Em caso de recusa da gata, que talvez sofresse de alguma tormenta da carapaça, uma torrada desconhecida para mim e para meu são bartolomeu, que poderia levá-la a suspeitar dos meus intentos e arribar o decote do vestido bordado de pronto ou fugir de bugre pelas dunas nuas cantando Don't fence me in com prosódia fitzgerald e cabelos ao vento enquanto eu a seguiria montado num jegue cantando Siga baixinho ou You do something to me como um jovem pinta de Sinatra de cabaré de ocasião em um karaoquê adesivado de albergue na folga da juventude sonic youth, a segunda opção era mascar chicle de bola pela Uruguaiana, comprar uns adaptadores no dédalo do camelôdromo, p2, p10, banana, palito de dente, pilhas palito, me aprimorar no ableton live, classificar os crustáceos no aquário do solar do Benin, sobrevoar de paletó e gps a trovejante costa do bambuzal, ligar para o preço das vitrolas e marcar uma consulta com o prazer estético, folhear velhas revistas de cinema na Barbarela, sublinhar as uvas de couro nacional das secretárias nos pontos de ônibus da Avenida do Marfim, encharcar de azeite o kafta no balcão do árabe da travessa, atravessar os arcos do aqueduto e chegar sadio, com a pachorra baleia viva e firme ao meu pé, com som saturado, sem bíblia, no âmbito de Oito e Meio, pronto para valsar um forró e faire l'amour avec l'embarras du choix. Foi rápido, mas levei dela o hálito de olhar de relance desconhecidos e de implicar com ares condicionados quando não há real necessidade deles." (Signifrito Figueiroa - Aporias da toleima, Vol. 12)
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